Novas imagens capturadas no quarto de hotel onde Sean “Diddy” Combs foi detido em setembro do ano passado trouxeram à tona detalhes inquietantes sobre os chamados freak-offs, eventos descritos como maratonas sexuais orquestradas pelo rapper. O material, apresentado oficialmente como prova no julgamento que teve início nesta segunda-feira (12), expõe um cenário que corrobora as graves acusações enfrentadas pelo artista de 55 anos, que responde por tráfico sexual, coerção e crime organizado.
Entre os itens fotografados pelas autoridades no quarto do Park Hyatt, em Manhattan, estão quantidades expressivas de óleo para bebê, diversos lubrificantes, maços de dinheiro e embalagens contendo substâncias ilícitas. Segundo a promotoria, o cenário encontrado no local é consistente com a logística detalhada por vítimas de Combs.
Um dos depoimentos mais impactantes que sustentam essas evidências vem de Cassandra “Cassie” Ventura, ex-namorada do magnata da música. Em seu relato à Justiça, ela descreveu um relacionamento de dez anos marcado por violência física e psicológica. Cassie afirmou que era forçada a participar desses encontros íntimos sob constante ameaça, sendo submetida a atos sexuais com terceiros enquanto o rapper observava.
Ela detalhou que os eventos eram meticulosamente preparados em quartos de hotel com iluminação específica e aromas controlados. Em um dos episódios relatados, o artista a obrigava a aquecer óleo para bebê para o uso nos encontros. O depoimento também aponta o uso recorrente de drogas como quetamina, ecstasy e opiáceos, elementos que, segundo a acusação, eram fundamentais para manter as vítimas sob controle.
Durante o julgamento, a agente Yasmin Binda, especialista em tráfico humano do Departamento de Segurança Interna dos EUA, corroborou a tese da promotoria. Para ela, o estoque de insumos encontrado no hotel não deixa dúvidas sobre o intuito das atividades. Testes laboratoriais confirmaram que o material apreendido — incluindo um pó rosa que continha misturas de quetamina e MDMA — é condizente com o uso recreativo e dopante descrito.
Além das fotos, o júri teve acesso a imagens de segurança de 2016 que mostram uma agressão física de Combs contra Cassie em um corredor de hotel em Los Angeles, um episódio que a vítima afirma ter ocorrido após sua tentativa de abandonar um desses eventos. Fotografias de hematomas no rosto e nos lábios da ex-namorada foram exibidas como prova material da violência sofrida.
Enquanto a promotoria argumenta que Diddy estava em Nova York nos dias que antecederam sua prisão justamente para organizar uma nova rodada dessas festas, a defesa mantém a negativa de todas as acusações. Os advogados do rapper insistem que os encontros eram consensuais e questionam a interpretação dada aos itens apreendidos. O julgamento segue em curso, prometendo revelar ainda mais camadas sobre o comportamento do produtor e o impacto de suas ações na indústria do entretenimento global.