Uma fotógrafa russa, Julia Buruleva, tornou-se o centro de uma tempestade de críticas nas redes sociais e despertou a atenção de autoridades indianas após um ensaio fotográfico controverso em Jaipur. O projeto, que buscava um impacto visual marcante, consistiu em cobrir um elefante de 65 anos e sua modelo com uma espessa camada de tinta rosa-choque.
A situação ganhou contornos dramáticos e acusações severas quando veio a público a notícia de que o animal, chamado Chanchal, morreu poucos meses após a sessão de fotos.
Para a fotógrafa, que vive em Barcelona, a viagem à Índia tinha um propósito artístico claro. Ela afirmou que a ideia de um elefante rosa posando diante dos portões clássicos de Rajastão surgiu como uma obsessão criativa após se sentir impactada pelas cores vibrantes da cidade. Segundo ela, pintar o animal foi uma forma de dialogar com a cultura local, onde elefantes são frequentemente ornamentados com pigmentos para festivais religiosos.
A logística para concretizar a visão não foi simples. Buruleva relatou ter visitado diversas propriedades até encontrar um dono disposto a ceder o animal para o ensaio, que ocorreu em um templo hindu abandonado. Ela defendeu veementemente que o bem-estar de Chanchal foi preservado, alegando que utilizou uma tinta orgânica e lavável, comum em celebrações tradicionais indianas, e que o animal permaneceu calmo durante os dez minutos de cliques.
O proprietário do elefante, Shadik Khan, corroborou a versão da fotógrafa, garantindo que o pigmento conhecido como kaccha gulal foi removido logo após o trabalho. Contudo, a morte de Chanchal meses depois reacendeu a polêmica. Muitos internautas associaram o estresse da produção ao falecimento do paquiderme idoso.
Em sua defesa, Buruleva classificou as acusações como desinformação. A fotógrafa insistiu que o animal morreu de causas naturais devido à idade avançada, muito tempo depois de sua visita. Ela contou com o apoio de outros profissionais, como o fotógrafo indiano Saurav Kumar, que criticou a interferência de pessoas sem contexto sobre os costumes locais e o consentimento dado pelo dono do animal.
O caso agora está nas mãos das autoridades. Oficiais florestais do Rajastão abriram uma investigação oficial para apurar se a produção respeitou as normas de bem-estar animal e se todas as licenças necessárias foram obtidas. Enquanto o inquérito não é concluído, o debate sobre os limites da arte e o uso de animais em ensaios comerciais segue dividindo opiniões.