O assassinato de John F. Kennedy, ocorrido em 22 de novembro de 1963, permanece como uma das feridas abertas e mais debatidas da história moderna. Mais de seis décadas após os disparos que silenciaram o presidente em Dallas, o caso ganha um novo e intrigante capítulo, capaz de reabrir feridas que nunca cicatrizaram totalmente.
A versão oficial, consolidada pela Comissão Warren, sustentou por anos que Lee Harvey Oswald agiu por conta própria, disparando de um edifício próximo ao trajeto da comitiva presidencial. No entanto, a morte súbita de Oswald, executado dois dias após o atentado enquanto estava sob custódia policial, sempre serviu como combustível para teorias alternativas e uma desconfiança profunda sobre a narrativa estatal.
Um dos maiores pontos de interrogação reside na balística. A famosa teoria da bala única, que tentou explicar como um único projétil causou múltiplos ferimentos, nunca convenceu parte dos especialistas e do público, alimentando a tese de que existiram outros atiradores naquele fatídico dia.
É aqui que surge um elemento perdido no tempo: o filme registrado por Orville Nix. Naquela manhã, Nix, um técnico de ar-condicionado, capturou imagens em 8 mm a partir da colina gramada, conhecida como grassy knoll — o mesmo ponto que muitas testemunhas apontaram, ao longo dos anos, como o local de origem de disparos suspeitos.
O filme de Nix não é visto pelo público desde 1978. Após uma análise técnica realizada há décadas, o material foi entregue à guarda federal americana, mas, de forma alarmante, as autoridades afirmam hoje não saber o paradeiro do original. Esse sumiço deu início a uma longa batalha judicial encabeçada pela família de Nix, hoje representada por sua neta, Linda Gayle Nix Jackson.
O advogado da família, Scott Watnik, defende que a tecnologia atual pode ser o divisor de águas. Segundo ele, com os recursos de análise de imagem que dispomos hoje, o filme poderia revelar detalhes invisíveis para os investigadores da década de 70, como sombras, silhuetas ou movimentos que confirmem a presença de um segundo atirador. Isso, por sua vez, daria suporte às conclusões do Comitê da Câmara sobre Assassinatos, que em 1978 sugeriu a existência de uma conspiração.
Recentemente, um juiz federal permitiu o prosseguimento da disputa judicial, reacendendo a esperança de que o filme seja localizado e submetido a uma nova perícia. Se o material for recuperado, estaremos diante de uma das evidências mais valiosas sobre o evento. Para muitos, esse registro não é apenas um pedaço de película antiga, mas a chave que finalmente pode confirmar, ou descartar de vez, o que aconteceu naquele dia em Dallas.