Uma cena inusitada e preocupante no Reino Unido capturou a atenção do mundo: registros de gorilas batendo contra os vidros de um zoológico que, oficialmente, está fechado ao público há anos. O caso trouxe à tona debates acalorados sobre o destino de animais mantidos em instalações desativadas.
O foco da polêmica é o antigo Bristol Zoo, um dos marcos históricos da conservação britânica, que encerrou suas atividades no endereço tradicional em 2022. Na época, a direção alegou que o fechamento era uma estratégia necessária diante de dificuldades financeiras, dando início a um processo de transição para um novo espaço, mais moderno e amplo.
Apesar da promessa de que todos os animais teriam um destino seguro, exploradores urbanos que invadiram o local em 2024 registraram gorilas ainda presentes nas instalações. As imagens, que mostram os animais batendo contra os vidros, geraram indignação e especulações imediatas sobre maus-tratos e estresse animal.
Em defesa da instituição, Brian Zimmerman, diretor de conservação e ciência da Bristol Zoological Society, assegurou que o bem-estar dos primatas continua sendo uma prioridade absoluta. Segundo ele, os recintos possuem controle de temperatura rigoroso para simular o clima da Guiné Equatorial e os animais têm acesso a amplas áreas internas e externas, mantendo padrões de cuidado elevados.
No entanto, a desconfiança persiste. Novos vídeos surgiram mais de um ano depois, levando críticos a questionar a transparência da administração sobre quais espécies ainda permanecem no local. Questionado sobre o que estaria sendo escondido, o zoológico optou pelo silêncio em relação a novas gravações, limitando-se a reiterar que a área é alvo constante de invasões ilegais.
Para a administração, essas incursões são o verdadeiro problema. Zimmerman afirmou que as invasões frequentes — que se tornaram mais comuns desde meados de 2024 — colocam a vida dos animais em risco. Segundo o diretor, o barulho dos alarmes acionados pelos invasores gera um estresse desnecessário aos gorilas, que não compreendem a presença de estranhos em seu habitat.
O cenário traz à tona um problema global. Casos recentes de animais esquecidos em parques temáticos na França e zoológicos abandonados na Tailândia criaram uma sensibilidade pública maior, tornando cada vídeo compartilhado online um combustível para o debate sobre ética e responsabilidade na gestão de zoológicos em desativação.
O desfecho para o grupo de Bristol parece estar traçado: os gorilas devem ser transferidos para o projeto Central African Forest, uma nova estrutura prometida para 2026, desenhada para replicar as condições da floresta tropical africana. Enquanto esse novo capítulo não chega, o antigo zoológico permanece sob vigilância, mantendo acesa a discussão sobre até que ponto o público deve confiar nas explicações oficiais sobre o bem-estar animal em locais que já não recebem visitantes.