Robin Williams é amplamente lembrado por sua genialidade cômica e por personagens que marcaram gerações, mas, por trás das câmeras, ele possuía uma empatia que poucos conheciam. Dez anos após seu falecimento, colegas de elenco seguem compartilhando relatos que revelam a profundidade de seu caráter e o cuidado genuíno que ele dedicava às pessoas ao seu redor.
Um desses momentos marcantes foi revelado por Sally Field, sua parceira de cena no icônico filme Uma Babá Quase Perfeita, de 1993. Naquela época, o pai de Field vivia em uma casa de repouso após sofrer um derrame. Durante uma pausa nas gravações da cena do divórcio, a atriz recebeu a notícia devastadora de que ele havia sofrido um novo derrame, desta vez fatal.
Em entrevista à Vanity Fair, Sally relembrou o sofrimento de ter que tomar a difícil decisão de não manter o pai vivo por aparelhos, respeitando sua vontade. Ela pediu ao médico que sussurrasse um último adeus em nome dela. Mesmo devastada, a atriz tentou seguir com o trabalho, mas não conseguiu esconder sua dor por muito tempo.
Robin Williams, com sua sensibilidade aguçada, notou imediatamente que algo estava errado. Ele a chamou de lado no set e perguntou se ela estava bem. Ao saber da perda, Williams não hesitou: ele insistiu que ela precisava se ausentar imediatamente para cuidar do que fosse necessário.
O ator mobilizou a produção, garantindo que o cronograma de filmagens fosse ajustado para que Sally pudesse deixar o set e organizar o funeral do pai. Para a atriz, esse episódio revelou um lado de Robin que o público raramente via: uma pessoa extremamente intuitiva, capaz de ler as emoções alheias e oferecer apoio no momento exato em que mais precisavam.
Mara Wilson, que interpretou a filha de Williams no mesmo filme, também guardou lembranças da doçura do ator. Após perder a mãe anos depois, ela reencontrou Robin em um novo projeto. Ela recorda que ele se aproximou com extrema delicadeza, perguntando como ela e sua família estavam, sem tocar em assuntos que pudessem ser dolorosos. Ele foi, nas palavras dela, simplesmente doce.
Esses relatos ilustram que o legado de Robin Williams transcende seus filmes e seu talento. Ele foi um homem que, mesmo sob os holofotes, manteve a capacidade de olhar para o próximo com humanidade, deixando marcas indeléveis na vida de quem teve o privilégio de conviver com ele. Sua partida prematura, em 2014, deixou uma saudade imensa, mas suas atitudes continuam sendo um exemplo inspirador de compaixão.