A inteligência artificial deixou de ser um conceito restrito aos laboratórios de tecnologia para se tornar onipresente. De assistentes virtuais a sistemas de reconhecimento facial, a IA já molda nossa rotina. No entanto, especialistas alertam que essa integração é apenas o prelúdio de uma transformação muito mais radical e, para muitos, preocupante.
O cientista da computação Roman Yampolskiy, professor de Ciência e Engenharia da Computação, trouxe à tona uma visão alarmante durante uma entrevista ao podcast Diary of a CEO, apresentado por Steven Bartlett. Segundo o acadêmico, estamos nos aproximando de um divisor de águas: a chegada da Inteligência Artificial Geral (AGI), que ele prevê ocorrer nos próximos dois anos.
O impacto dessa evolução no mercado de trabalho seria devastador. Yampolskiy estima que, dentro de um período de cinco anos, até 99% das profissões atuais podem ser ocupadas por máquinas inteligentes. Quando questionado sobre a sobrevivência de cargos criativos ou de comunicação, como o de um apresentador de podcast, o especialista foi enfático: a IA já possui capacidade técnica para analisar dados, formular perguntas otimizadas e replicar comportamentos e trejeitos humanos com perfeição.
A tecnologia não se limitará ao campo cognitivo. O professor ressalta que o avanço dos robôs humanoides permitirá a automação quase total de tarefas físicas em um curto espaço de tempo. Diante desse cenário, a contratação de seres humanos para funções operacionais ou analíticas deixaria de fazer sentido financeiro, já que as empresas passariam a contar com trabalho gratuito — tanto braçal quanto intelectual — gerado pela AGI.
Yampolskiy pondera que a permanência de profissionais humanos poderá se tornar um nicho de "luxo" ou uma escolha baseada em tradição e preferência pessoal, comparável à compra de itens artesanais. Da mesma forma que algumas figuras influentes, como Warren Buffett, poderiam insistir em contadores humanos, a contratação de pessoas passaria a ser vista como algo quase "fetiche", sem uma justificativa prática frente à eficiência e ao custo quase zero das máquinas.
Embora o tom de suas previsões seja impactante, o pesquisador faz uma ressalva importante: a existência da tecnologia não implica sua adoção instantânea. Ele compara a situação aos telefones com vídeo, que existiam décadas antes de se tornarem populares. Ainda assim, o alerta permanece: a economia global pode enfrentar uma crise de desemprego estrutural sem precedentes se as previsões de Yampolskiy se confirmarem.
Ao concluir sua análise, o cientista provocou o público ao comentar a própria repercussão de suas falas: "Eu não estou preocupado, vocês é que estão". As projeções de Yampolskiy reacendem o debate sobre como a sociedade deve se preparar para um futuro onde a utilidade do trabalho humano precisará ser inteiramente redefinida.