Julie McFadden dedicou anos de sua carreira aos cuidados paliativos, acompanhando centenas de pessoas durante a fase final de suas vidas. Essa convivência constante com o desfecho da jornada humana permitiu que ela ouvisse confissões raras, feitas em momentos em que não há mais tempo para máscaras, desculpas ou pressa.
Conhecida na internet como "Hospice Nurse Julie", ela transformou sua vivência profissional em um canal de diálogo aberto com milhões de seguidores. Seus conteúdos exploram tanto os aspectos biológicos do fim da vida quanto os hábitos cotidianos que, segundo sua observação, moldam a qualidade da nossa trajetória.
Com base naquilo que viu repetir-se exaustivamente nos leitos de UTI e quartos de cuidados paliativos, Julie adotou uma postura cautelosa em relação a certas escolhas. Ela desencoraja práticas que frequentemente levam a doenças evitáveis, como o consumo frequente de álcool, o tabagismo — incluindo o uso de cigarros eletrônicos — e atividades de risco, como andar de motocicleta.
Sobre o hábito de fumar, especialmente o "vaping", ela é enfática: o dano vai muito além dos pulmões. A enfermeira ressalta que o impacto sobre o sistema cardiovascular é severo e, muitas vezes, subestimado. Já em relação ao álcool, o alerta é baseado na dor que presenciou de perto: casos de cirrose e outras complicações hepáticas que, embora silenciosas no início, tornam-se fatais com o tempo.
Entretanto, o que mais chama a atenção no relato de Julie são as palavras que ecoam no leito de morte. Em entrevista ao podcast Disruptors, a enfermeira revelou que os arrependimentos seguem padrões previsíveis. É muito comum ouvir pacientes lamentando terem dedicado tempo demais ao trabalho, sacrificando momentos preciosos de convivência e lazer.
Ainda assim, existe uma reflexão que supera todas as outras em frequência, embora seja pouco discutida publicamente: "Eu gostaria de ter valorizado minha saúde".
Essa constatação surge de pessoas de todas as origens, idades e classes sociais. Julie explica que, enquanto desfrutamos de um corpo funcional e livre de dores, tendemos a tratar o bem-estar como algo eterno e garantido. A percepção da preciosidade do "sentir-se bem" só desperta, infelizmente, quando a saúde se torna um artigo de luxo inalcançável.
Movida por essas lições duras, a enfermeira incorporou um ritual de gratidão em sua própria rotina. Todas as noites, ela lista prazeres simples — como a capacidade de respirar sem esforço, caminhar ou sentir o calor do sol na pele. Para Julie, a frase que ela mais ouve daqueles que estão partindo serve como um lembrete constante para todos nós: deveríamos celebrar a vida enquanto ela ainda é feita de coisas pequenas, simples e, muitas vezes, invisíveis.