Uma descoberta inusitada em um museu de Melbourne trouxe novas esperanças para a ciência: pesquisadores encontraram, esquecida no fundo de um armário, a cabeça de um tilacino perfeitamente preservada. O espécime, guardado há mais de 110 anos dentro de um balde com etanol, pode ser a chave que faltava para o ambicioso projeto de trazer o Tigre-da-Tasmânia de volta à vida.
O tilacino era um marsupial carnívoro único que habitou a Austrália. Apesar da alcunha de "tigre", sua aparência lembrava a de um cão, com listras marcantes na parte inferior do dorso. A espécie foi considerada extinta oficialmente em 1986, após o último exemplar morrer em cativeiro ainda na década de 30.
O projeto de desextinção é capitaneado pela Colossal, uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos liderada por Ben Lamm. Com investimentos de peso e colaboração de diversos laboratórios globais, o objetivo é utilizar a engenharia genética para recriar o animal.
O professor Andrew Pask, da Universidade de Melbourne, responsável pela frente de pesquisa genética, descreveu o achado como um golpe de sorte inestimável. Embora a cabeça apresente um aspecto bruto — sem pele e com cortes anatômicos — o conservante garantiu a integridade de moléculas de RNA, que são extremamente instáveis e difíceis de encontrar em fósseis ou espécimes antigos.
Essas moléculas permitiram que a equipe científica obtivesse informações valiosas sobre as capacidades sensoriais do animal, como seu olfato, paladar e visão. Além disso, o material genético foi fundamental para a construção do primeiro genoma completo e anotado de uma espécie extinta. Esse mapa genético é o alicerce necessário para evitar a criação de um híbrido, garantindo que o animal resultante seja, de fato, um tilacino autêntico.
Para o professor Pask, o progresso alcançado com esse material superou todas as expectativas iniciais. O que antes parecia um desafio intransponível agora ganha um novo fôlego. Enquanto o trabalho avança entre laboratórios na Austrália e nos EUA, o sonho de ver o marsupial de volta ao seu habitat natural parece um pouco menos distante e um pouco mais próximo da realidade.