O regime da Coreia do Norte teria executado 30 adolescentes por assistirem a dramas sul-coreanos, um entretenimento estritamente proibido no país. As informações, reportadas por veículos sul-coreanos como a Chosun TV e o Korea JoongAng Daily, indicam que os jovens foram fuzilados em público. Acredita-se que o conteúdo tenha entrado no território isolado através de pen drives contrabandeados.
De acordo com fontes do Ministério da Unificação da Coreia do Sul, o governo norte-coreano mantém um controle implacável sobre seus cidadãos, fundamentado no que chamam de três leis "malignas". O objetivo central do regime é impedir a entrada de qualquer influência cultural externa, tratando a cultura sul-coreana como uma ameaça direta à ideologia estatal.
A legislação, conhecida como Lei de Rejeição à Ideologia e Cultura Reacionária, proíbe terminantemente o consumo de mídias originárias não apenas da Coreia do Sul, mas também do Japão e dos Estados Unidos. A repressão é tão severa que até o uso de gírias, sotaques ou expressões típicas do Sul pode resultar em punições graves, sendo interpretado como um sinal claro de que o cidadão está sendo "contaminado" pela cultura estrangeira.
Embora o isolamento do país dificulte a verificação independente desses relatos, especialistas em direitos humanos consideram os episódios extremamente plausíveis. Greg Scarlatoiu, diretor executivo do Comitê para os Direitos Humanos na Coreia do Norte, explica que a repressão ao acesso de informações externas aumentou drasticamente desde o início da pandemia de COVID-19, sob o pretexto de controle sanitário.
Relatórios recentes do Ministério da Unificação da Coreia do Sul detalham como o cerco se fechou sobre os costumes cotidianos. Práticas inofensivas, como o uso de vestidos de noiva brancos, passaram a ser rotuladas como "reacionárias". Desertores norte-coreanos relataram que, desde 2020, os pais são formalmente responsabilizados e instruídos a monitorar rigorosamente o que os filhos consomem, evitando qualquer tipo de "vídeo impuro".
Este clima de vigilância extrema não é novo, mas tem escalado. Em 2022, um relatório das Nações Unidas já havia documentado o fuzilamento público de um homem na província de Kangwon. Mais recentemente, em 2024, um jovem de 22 anos foi executado na província de Hwanghae do Sul após ser denunciado por uma unidade de vigilância local por ter assistido a três filmes sul-coreanos e compartilhado cerca de 70 músicas do país vizinho.
A divisão da península coreana, que perdura desde 1948, continua a gerar cenários de extrema tensão. Enquanto o Sul prospera como uma potência cultural global, o Norte, cada vez mais isolado desde o colapso da União Soviética, recorre a medidas brutais para tentar evitar que o contato com o mundo externo rompa as barreiras impostas pelo seu regime totalitário.