Trocar a estabilidade de uma casa própria por um endereço flutuante parece, para a maioria das pessoas, uma ideia saída de um filme ou de um livro de aventuras. No entanto, para os americanos Johan Bodin e Lanette Canen, ambos de 56 anos, essa fantasia virou realidade cotidiana. O casal vendeu seus bens em terra firme para estabelecer residência permanente a bordo do Ville Vie Odyssey, um navio operado pela Villa Vie Residences.
A proposta é ambiciosa: o navio oferece um itinerário que percorre 425 destinos em 147 países a cada ciclo de três anos e meio. A jornada completa do casal pode durar até 15 anos de navegação ininterrupta ao redor do globo.
Antes dessa mudança radical, eles viviam em Maui, no Havaí. Após meses de experiência vivendo 24 horas por dia em alto-mar, o casal decidiu compartilhar os bastidores dessa rotina pouco convencional.
O investimento inicial foi de 130 mil dólares pela compra de uma cabine residencial. Além desse valor, eles arcam com uma taxa mensal de cerca de 4 mil dólares. Pode parecer um custo alto, mas, segundo os dois, a conta fecha melhor do que no estilo de vida anterior.
A mensalidade cobre praticamente tudo: refeições, bebidas, limpeza, lavanderia, academia, entretenimento e até as gorjetas da tripulação. Johan e Lanette garantem que esse valor representa quase metade do que gastavam anteriormente com manutenção de casa, seguros, combustível e impostos. Eles explicam que, agora, o estilo de vida está centralizado em uma única despesa.
Diferente de um cruzeiro turístico, o ambiente a bordo é descrito como uma comunidade tranquila e espaçosa. Longe do caos de turistas em férias, os moradores formam laços duradouros, tratando o navio como um bairro flutuante.
Contudo, nem tudo são flores. O casal admite que a gestão da alimentação é um dos "efeitos colaterais" mais inusitados. Com acesso constante a três restaurantes e uma variedade de opções gastronômicas, o desafio é manter o autocontrole com as porções. Apesar da tentação, eles afirmam não ter tido ganho de peso, garantindo que a vida a bordo, recheada de caminhadas em cada porto que visitam, os mantém mais ativos do que quando viviam em uma casa tradicional.
O maior desafio, porém, não é físico, mas emocional: a distância da família e dos amigos. Para lidar com a saudade, eles planejam voos estratégicos para visitar entes queridos, como fizeram recentemente para celebrar o primeiro aniversário de uma neta.
Ao final, a lição que ficam para quem cogita seguir o mesmo caminho é um convite à ação. Para eles, o aprendizado foi claro: o tempo e as vivências valem muito mais do que o acúmulo de posses. A recomendação é clara: teste, experimente e não deixe para depois, pois a vida é curta demais para ficar ancorado em um só lugar.