Uma polêmica judicial envolvendo um dos títulos mais brutais do terror recente está dando o que falar nos bastidores de Hollywood. A atriz Catherine Corcoran, que participou do longa conhecido por causar náuseas e desmaios em espectadores ao redor do mundo, abriu um processo contra a produção, alegando uma série de abusos que vão desde quebra de contrato até exploração sexual.
A ação, protocolada em um tribunal federal da Califórnia no final de outubro, aponta o dedo para o diretor Damien Leone, o produtor Phil Falcone e as produtoras Dark Age Cinema e Fuzz on the Lens. Segundo o documento, a atriz deveria receber 1% dos lucros da franquia como parte de seu acordo inicial, mas alega ter recebido apenas um valor irrisório de 8,3 mil dólares em pagamentos esparsos desde a estreia da sequência, em 2022.
O advogado de Corcoran, Devin McRae, é categórico: ele afirma que, na hora do acerto de contas, os produtores optaram por enganar a atriz, ignorando suas tentativas de diálogo sobre os valores.
Além da questão financeira, o processo traz denúncias graves de violação ética. Corcoran afirma que foi filmada completamente nua sem consentimento prévio, referindo-se a uma cena específica em que sua personagem é pendurada de cabeça para baixo antes de ser atacada pelo icônico assassino Art the Clown.
Conforme as diretrizes do sindicato SAG-AFTRA, qualquer cena de nudez exige um consentimento documentado, livre de pressões e precedido de informações detalhadas. A atriz sustenta que esses protocolos foram ignorados. Ela também detalhou problemas físicos decorrentes das filmagens, como lesões no tímpano e inchaço craniano, causados pelo tempo em que permaneceu suspensa pelos tornozelos.
Em contrapartida, a defesa de Damien Leone e Phil Falcone se posicionou rapidamente. O advogado Larry Zerner afirmou que ambos negam as acusações e que irão se defender vigorosamente no tribunal, mantendo a postura de que tanto os pagamentos quanto as condições de trabalho foram cumpridos rigorosamente.
A atriz, por outro lado, recorda que sua parceria foi fundamental para viabilizar o filme, já que aceitou receber uma remuneração baseada nos lucros futuros para ajudar a tirar o projeto de baixo orçamento do papel.
A franquia Terrifier se tornou um fenômeno global justamente pelo gore extremo, que transformou Art the Clown em um ícone moderno do terror. No entanto, o sucesso nas bilheterias agora é ofuscado por um debate necessário: onde termina a liberdade artística e onde começa a exploração desmedida no cinema independente? O desenrolar desse processo promete levantar questões fundamentais sobre os bastidores da indústria cinematográfica.