O clima esquentou nas redes sociais esta semana após uma sequência de ataques disparados por Elon Musk contra astronautas de renome. O CEO da SpaceX e da Tesla comprou uma briga pública com veteranos da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA) ao questionar a integridade da gestão da missão de retorno de dois astronautas que estão na Estação Espacial Internacional (ISS).
A polêmica teve início quando Musk compartilhou um vídeo de uma entrevista de Donald Trump, no qual criticava o prolongamento da estadia de Sunita Williams e Barry Wilmore no espaço. A dupla, que deveria cumprir uma missão de oito dias iniciada em junho de 2024, teve sua permanência estendida até março de 2025. Musk rotulou o adiamento como uma manobra política da administração Biden e alegou que a Casa Branca teria ignorado uma suposta oferta da SpaceX para trazer os astronautas de volta mais cedo.
A réplica não demorou. Andreas Mogensen, astronauta da ESA e atual comandante da ISS, não poupou palavras: "Que mentira. E isso vindo de alguém que vive reclamando da falta de honestidade da mídia tradicional". Musk respondeu ao comentário com um insulto grave, ofendendo Mogensen e insistindo que a decisão de prolongar a missão teve motivações políticas.
O veterano da NASA, Scott Kelly, entrou na discussão para defender o colega europeu, destacando a competência e a integridade de Mogensen. O bilionário, sem recuar, também mirou em Mark Kelly, irmão gêmeo de Scott e senador democrata, tratando-o de forma pejorativa. O senador rebateu o ataque com um desafio direto: "Quando você finalmente tiver coragem de entrar em uma nave espacial, venha conversar conosco três", ironizando o fato de que Musk, apesar de comandar uma gigante aeroespacial, nunca saiu da Terra.
No centro da disputa está a nave Starliner, da Boeing. Problemas técnicos nos propulsores e vazamentos de hélio detectados após a chegada à ISS obrigaram a NASA a prolongar a missão de Williams e Wilmore, priorizando a segurança da tripulação. Enquanto Musk insiste que sua empresa poderia ter resgatado os astronautas prontamente, Mogensen esclareceu que o plano de retorno pela cápsula Crew Dragon, da SpaceX, já estava traçado desde o ano passado, sem a necessidade de um resgate de emergência. O comandante da ISS pontuou ainda que, se a situação fosse de fato o desastre que Musk sugere, a SpaceX poderia ter enviado uma nave extra por conta própria.
A SpaceX tem sido um parceiro fundamental da NASA desde 2014, sendo responsável por retomar os lançamentos tripulados a partir de solo americano. Em contraste, o programa Starliner da Boeing tem enfrentado uma série de problemas, resultando em grandes prejuízos financeiros e atrasos significativos.
A postura intempestiva de Musk reacende um debate importante sobre os limites da interação entre o setor privado e as agências governamentais. Embora a SpaceX seja reconhecida pela inovação tecnológica, muitos especialistas alertam que retóricas agressivas podem colocar em risco a cooperação necessária em operações complexas e de alta periculosidade.
Atualmente, Sunita Williams e Barry Wilmore continuam suas rotinas de pesquisa na ISS. A NASA sustenta que a segurança dos astronautas permanece acima de qualquer agenda política. Após a repercussão negativa, Musk deletou parte das postagens ofensivas, voltando seus holofotes para o desenvolvimento da Starship, cujo primeiro voo tripulado segue no cronograma para 2025.