O céu sobre Ahmedabad, na Índia, apresentava uma serenidade enganosa na manhã de quinta-feira, 12 de junho de 2025. O voo AI 171 da Air India iniciava o que deveria ser uma operação rotineira com destino ao aeroporto de Londres Gatwick. A bordo, 242 pessoas — entre indianos, britânicos, canadenses e portugueses — seguiam viagem, confiantes na segurança da rota internacional.
A decolagem transcorreu aparentemente dentro da normalidade, mas, poucos minutos após deixar o solo, o cenário transformou-se em um pesadelo. Com apenas 190 metros de altitude, a aeronave, um Boeing 787 Dreamliner, começou a exibir um comportamento instável, lutando visivelmente contra a gravidade.
Testemunhas em solo notaram a dificuldade do jato em manter a sustentação. O pânico na cabine de comando foi rapidamente transmitido à torre de controle de Ahmedabad pelo Capitão Sumeet Sabharwal e pelo Primeiro Oficial Clive Kunder. Em um momento crítico, o tão temido sinal de socorro, "Mayday", foi emitido.
As últimas palavras registradas pelo gravador de voz da cabine foram cruas e desesperadoras: "Mayday... sem impulso, perdendo potência, incapaz de subir". Após essa breve transmissão, o rádio silenciou. Sem a propulsão necessária para ganhar altura, o Dreamliner entrou em um mergulho incontrolável. Em menos de dois minutos após o início da emergência, o avião colidiu violentamente contra o solo.
O impacto ocorreu em um alojamento estudantil de uma faculdade de medicina, a pouco mais de seis quilômetros da pista do aeroporto. A força da queda e o incêndio subsequente destruíram quase completamente a aeronave e causaram danos severos à estrutura do prédio.
A tragédia deixou um saldo devastador de 265 vidas perdidas. O número inclui os 242 ocupantes do voo e 23 pessoas que estavam no solo, dentro do alojamento atingido. Até o momento, apenas um sobrevivente, Vishwash Kumar Ramesh, um cidadão britânico de 40 anos, foi resgatado com ferimentos graves. As autoridades não descartam a possibilidade de que o número de vítimas fatais possa aumentar conforme as buscas nos destroços avancem.
Natara jan Chandrasekaran, presidente da Air India, manifestou profundo pesar, descrevendo o episódio como uma catástrofe terrível. A companhia aérea montou uma força-tarefa para oferecer suporte imediato aos familiares das vítimas e assistência ao sobrevivente.
Agora, o foco das autoridades indianas e internacionais volta-se para a investigação técnica. As caixas-pretas foram recuperadas e serão cruciais para entender por que o avião perdeu toda a sua potência logo após a decolagem. Embora o relato do piloto aponte para uma falha catastrófica no sistema de propulsão, especialistas em aviação ainda buscam esclarecer a sequência exata de eventos que levou ao desastre, em uma investigação que promete ser minuciosa e complexa.