Angelique Todd: A bióloga que viveu o pesadelo de ser atacada por um chimpanzé e renasceu como "Encantadora de Gorilas"
Em 1994, a vida da bióloga Angelique Todd, conhecida por seu espírito aventureiro, tomou um rumo chocante e aterrorizante. Enquanto atuava como voluntária no Port Lympne Zoo Park, no Reino Unido, ela desenvolveu uma relação de aparente familiaridade com Bustah, um chimpanzé de 33 anos. Contudo, como muitos que conhecem esses primatas sabem, a cautela nunca pode ser relaxada. Bustah, um macho de chimpanzé em cativeiro, estava prestes a ensinar a Todd uma lição brutal sobre a imprevisível natureza desses animais.
Naquele dia fatídico, Bustah apresentava um comportamento incomum e agitado. Todd realizava a tarefa rotineira de alimentá-lo através das grades da jaula, uma atividade que já havia executado diversas vezes sem incidentes. Porém, Bustah tinha planos radicalmente diferentes. Com uma velocidade surpreendente, ele esticou o braço pela pequena abertura e agarrou a manga de sua blusa. "Ele viu a oportunidade e a agarrou", relatou Todd posteriormente, descrevendo como o mundo pareceu desacelerar enquanto ela lutava pela própria vida.
Evidenciando a força imensa característica dos chimpanzés, Bustah começou a puxar Todd contra as grades. Foi um espetáculo de horror. Atônita, Todd apenas pôde observar enquanto o chimpanzé a mordia no polegar e no dedo indicador, rompendo suas artérias e causando uma perda significativa de tecido muscular. Apesar da dor excruciante e do pânico, Todd demonstrou uma calma notável, analisando o incidente com uma compreensão e empatia que beiram o sobre-humano.
"Acho que o que ele realmente queria era apenas me segurar", disse ela. "Depois que ele mordeu meu polegar, o sangue começou a jorrar, é claro, e então se transformou em algo parecido com uma frenesi alimentar." Surpreendentemente, mesmo após a terrível agressão, Todd não nutriu ressentimento por Bustah. Ela continuou seu trabalho no zoológico e chegou a se encontrar novamente com o chimpanzé, buscando um "aconselhamento" para lidar com o trauma. De forma curiosa, Bustah parecia evitar o olhar dela após o ocorrido, o que Todd interpretou como um sinal de remorso.
Anos mais tarde, a carreira de Todd deu uma guinada espetacular. Ela deixou o zoológico, trocando a paisagem inglesa pelas densas selvas da África. Ao ingressar no World Wide Fund for Nature como pesquisadora, Todd mergulhou no estudo dos gorilas, uma escolha que lhe rendeu o carinhoso apelido de "A Encantadora de Gorilas". Sua dedicação incansável e uma habilidade singular de "comunicar-se" na linguagem dos gorilas a destacaram de forma excepcional em seu campo.
Por mais de uma década, Todd viveu em profunda imersão entre os gorilas, conquistando gradualmente a confiança deles e aprendendo seus complexos costumes sociais. Sua extraordinária jornada foi capturada no inspirador documentário de natureza "Minha Família Gorila", narrado por Colin Salmon e produzido pela National Geographic em 2012. O filme acompanhou a vida de Makumba, um imponente gorila-das-montanhas, e de sua família. A persistência de Todd foi recompensada com acesso sem precedentes ao mundo desses magníficos animais, graças à confiança que ela soube angariar.
"Ganhar a confiança de uma família de gorilas na natureza é uma honra genuína", declarou Todd ao The Telegraph. Seu vínculo com Makumba, um gorila de 200 quilos, e seu harém composto por três fêmeas e oito filhotes, era uma prova viva de sua dedicação. No entanto, a vida na selva nunca é isenta de desafios. Aos 32 anos, Makumba era um líder envelhecido, e seu domínio enfrentava ameaças constantes. O documentário retratou as tensões internas da família de gorilas e o perigo latente de machos rivais que buscavam desafiar a autoridade de Makumba.