Na era do domínio absoluto das redes sociais e da manipulação de imagens, poucas histórias foram tão bizarras e controversas quanto a da iraniana Sahar Tabar. Há sete anos, ela chocou o planeta ao surgir online com uma aparência cadavérica, ganhando o apelido global de "Angelina Jolie Zumbi".
As fotos, que rapidamente se espalharam por todos os continentes, mostravam um rosto de contornos extremos, olhos profundos e uma magreza perturbadora. Na época, a narrativa que se espalhou dizia que a jovem havia se submetido a mais de 50 cirurgias plásticas para se assemelhar à famosa atriz de Hollywood. No entanto, o tempo revelaria que a realidade era muito menos cirúrgica e muito mais artificial.
Em uma entrevista concedida ao portal russo Sputnik, Sahar confessou que o visual sinistro era fruto de um uso intenso de edição de imagem. Ela admitiu que as fotos eram apenas uma forma de entretenimento e expressão pessoal. Na vida real, seus procedimentos estéticos resumiam-se a uma rinoplastia, alguns preenchimentos labiais e uma lipoaspiração, longe das dezenas de operações que o público imaginava.
O desejo de alcançar a fama na internet, contudo, teve um preço alto. Em 2019, o governo iraniano a deteve durante uma onda de repressão contra influenciadores digitais. Acusada de crimes como blasfêmia, corrupção de menores e incentivo à violência, Sahar foi condenada a 10 anos de prisão. Ela acabou cumprindo apenas 14 meses, sendo liberada em um momento de grande comoção social no Irã.
Após sua saída da prisão, a jovem apareceu na emissora estatal Rokna, revelando seu rosto sem os filtros e edições pesadas. A diferença entre a "zumbi" da internet e a pessoa real gerou uma onda de surpresa e debate. Enquanto muitos internautas criticaram a busca desesperada pela fama, outros aproveitaram o caso para refletir sobre a pressão estética e a ética nas redes sociais.
Para Sahar, o ciberespaço sempre foi um atalho. Ela confessou que, desde criança, alimentava o sonho de ser famosa e via no Instagram uma forma muito mais rápida — embora perigosa — de conseguir reconhecimento do que seguir a carreira de atriz. O caso da "Angelina Jolie Zumbi" permanece como um lembrete vívido de até onde a criatividade, aliada a um desejo desenfreado por atenção, pode levar uma pessoa em busca de validação digital.