O recém-lançado documentário Avicii: Meu Nome é Tim, disponível na Netflix, mergulha profundamente na trajetória de Tim Bergling, o homem por trás do fenômeno global da música eletrônica. Através de um arquivo pessoal inédito e gravações íntimas, a produção traça um retrato sensível que vai desde o nascimento de Tim em Estocolmo, em 1989, até seu falecimento precoce em Omã, em 2018.
O músico, que se tornou um ícone mundial após o lançamento de Levels em 2011, viveu o auge de sua carreira em um ritmo frenético. Foram cerca de 800 shows em apenas seis anos, uma rotina exaustiva que ocultava a fragilidade do artista.
Os diários de Bergling, que foram reunidos na biografia oficial escrita por Måns Mosesson, revelam a face oculta desse sucesso: uma batalha contínua contra o vício e o peso da fama. Em um dos registros, ele confessa a dificuldade em seguir as recomendações médicas após enfrentar crises graves de saúde, admitindo ter ignorado alertas profissionais sobre o consumo de álcool em busca de uma falsa sensação de normalidade.
A pancreatite aguda, que causou internações em 2012 e 2013, acabou sendo o momento em que Tim encontrou, ironicamente, a paz. Ele descreveu o período hospitalizado como seus dias mais tranquilos em seis anos, definindo a internação como suas únicas férias reais, uma confissão que evidencia o esgotamento que a vida sob os holofotes lhe causava.
Em busca de equilíbrio, o DJ mergulhou na meditação. Ele chegava a praticar por horas, muito além do recomendado, tentando lidar com a ansiedade e os medos que o acompanhavam. Suas anotações dessa época refletem alguém tentando encontrar um novo modo de existir, recorrendo à respiração como âncora para sobreviver aos dias difíceis.
O documentário da Netflix se destaca justamente pela narração do próprio Tim. O filme desconstrói a imagem do astro intocável para revelar um jovem tímido e inseguro, cujo maior desejo, muitas vezes, era ter vivido a vida que tinha antes de se tornar Avicii.
A trajetória de Bergling é marcada pela luta contra problemas de saúde mental e a dependência química. Sua última escrita no diário, carregada de um significado profundo e melancólico, dizia: O desprendimento da alma é o último apego, antes de recomeçar!
Avicii: Meu Nome é Tim já pode ser assistido na Netflix. É uma obra essencial para entender a humanidade de um artista cujo legado continua a tocar milhões, mas cuja vida real foi consumida pela pressão de um sucesso que ele nunca pediu.