Estudante que arrancou os próprios olhos não se arrepende após ser demitida do emprego
Em 2018, uma estudante norte-americana chamada Kaylee Muthart enfrentava um momento extremamente delicado. Vítima de um vício severo em metanfetamina, ela sofreu uma crise psicótica profunda que a levou a cometer um ato drástico: arrancar os próprios olhos. Naquele momento de delírio provocado pelas drogas, Kaylee acreditava firmemente que precisava realizar esse sacrifício extremo para "salvar o mundo" e evitar a morte de toda a humanidade. Quando socorrida, ela ainda segurava os globos oculares nas mãos, dando início a uma jornada de superação que marcaria sua vida para sempre.
Apesar da sequela permanente da cegueira, Kaylee lutou para recuperar o controle da própria trajetória. Determinada a deixar o vício no passado, ela focou em sua reabilitação e recomeço. Em 2023, aos 27 anos, conseguiu um emprego como lavadora de pratos em um restaurante local, o que lhe permitia obter sustento enquanto prosseguia com sua rotina e seus objetivos pessoais. No entanto, um episódio inesperado voltou a colocá-la no centro das atenções: Kaylee acabou sendo demitida do estabelecimento após ser pega alimentando gatos de rua com comida do restaurante.
Em entrevista concedida ao tabloide Mirror, a jovem explicou que, ao longo de vários meses, costumava separar uma porção de sua própria refeição ou solicitar preparos especiais para alimentar uma gata e seus oito filhotes que circulavam nas redondezas do trabalho. Embora o gerente do local a tivesse advertido a interromper a prática, Kaylee tentou negociar um plano para afastar os animais gradualmente, mas insistiu em continuar ajudando-os enquanto isso. A desobediência resultou na perda do cargo, mas não trouxe qualquer sentimento de culpa.
Perder o emprego foi um golpe difícil, mas ela afirmou que saiu de cabeça erguida, consciente de que seguiu o que seu coração ditava. Segundo a ex-funcionária, seria impossível ter uma boa noite de sono sabendo que havia animais famintos esperando por socorro. Kaylee também destacou o apoio incondicional de seu companheiro, Alex George, que a ajuda a suprir suas necessidades básicas enquanto ela busca novas alternativas profissionais através de uma agência voltada para a inclusão de pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho.
Além de procurar uma nova colocação profissional, a jovem planeja retomar seus estudos universitários. Seu propósito é olhar para a frente, lidando com bravura diante dos desafios físicos e emocionais que enfrenta diariamente. A trajetória de Kaylee vai muito além da tragédia do passado; ela se transformou em um símbolo de resiliência e empatia. A dedicação aos animais abandonados, mesmo em meio à sua própria vulnerabilidade, evidencia uma generosidade marcante que floresceu após o processo de recuperação.
Enquanto planeja seus próximos passos, Kaylee reforça que não se arrepende de ter compartilhado sua comida com os felinos. Para ela, estender a mão aos animais foi um gesto genuíno de humanidade e uma demonstração clara de que, mesmo tendo perdido a visão, continua enxergando com clareza o que realmente importa na vida.