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“Paciente zero” do surto de hantavírus em um navio de cruzeiro teria sido identificado como homem que visitou um lixão infestado de ratos

“Paciente zero” do surto de hantavírus em um navio de cruzeiro teria sido identificado como homem que visitou um lixão infestado de ratos

Um aterro sanitário nos arredores de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, tornou-se o epicentro de uma complexa investigação sanitária internacional. O local, frequentemente visitado por entusiastas da observação de aves em busca de espécies raras da Patagônia, é apontado como a provável origem de um surto de hantavírus que resultou em três mortes e forçou a evacuação de emergência de um navio de cruzeiro em Tenerife, nas Ilhas Canárias.

A tragédia começou antes mesmo do início da viagem. O holandês Leo Schilperoord, de 70 anos, viajava com sua esposa, Mirjam, quando ambos decidiram visitar o lixão no final de março. Para observadores de aves, o local não era um destino estranho, pois o descarte de resíduos atrai espécies específicas, como a rara caminheira-de-barriga-branca. Contudo, o ambiente também funcionava como um terreno fértil para roedores.

Investigadores suspeitam que o casal tenha contraído o vírus Andes ao inalar partículas contaminadas por fezes, urina ou saliva de roedores presentes no aterro. Como essas partículas podem ficar suspensas no ar quando o lixo é remexido ou a poeira é levantada, a contaminação ocorre mesmo sem o contato direto com os animais.

“Paciente zero” do surto de hantavírus em um navio de cruzeiro teria sido identificado como homem que visitou um lixão infestado de ratos

Após a visita ao local, o casal embarcou no MV Hondius, que partiu da Argentina em 1º de abril. Durante o trajeto, Leo adoeceu e faleceu. Pouco tempo depois, sua esposa, Mirjam, também veio a óbito em decorrência da mesma infecção. Uma terceira fatalidade, envolvendo um passageiro alemão, confirmou a gravidade da situação.

O alerta das autoridades sanitárias deu-se pelo fato de o vírus Andes ser um dos poucos tipos de hantavírus com potencial de transmissão documentada entre humanos. Em um navio, onde passageiros compartilham espaços confinados, sistemas de ventilação e áreas comuns, o risco de contágio aumenta consideravelmente.

“Paciente zero” do surto de hantavírus em um navio de cruzeiro teria sido identificado como homem que visitou um lixão infestado de ratos

O período de incubação do hantavírus varia de uma a oito semanas, começando com sintomas que mimetizam uma gripe comum, como febre, dores musculares e náuseas. Em quadros mais graves, a infecção evolui para a síndrome pulmonar por hantavírus, que atinge os pulmões de forma agressiva, apresentando uma taxa de mortalidade entre 20% e 40%.

Em 10 de maio de 2026, a operação de evacuação do MV Hondius foi iniciada em Tenerife. Passageiros que não apresentavam sintomas e testaram negativo foram repatriados em voos especiais, sob rigoroso monitoramento médico.

O caso segue sob análise para determinar se todas as contaminações ocorreram na fonte inicial ou se houve transmissão secundária dentro da embarcação. O episódio serve como um alerta sobre os perigos ocultos em ecossistemas alterados e a rapidez com que ameaças sanitárias podem se propagar em viagens internacionais.